Com 8 anos, entrei na aula de música, para aprender bateria.

Ficava maravilhado ao ver os instrumentos tocando a mesma música, ao mesmo tempo, e tudo fechando, direitinho.

 

Tudo que eu conhecia de música até então cabia em duas ou três fitas cassete, que nem minhas eram. Fui conhecer a “temida” teoria musical com 10 anos, na aula de violino.

Assim como a teoria me assustava, assusta muita gente ainda hoje.

Mas houve um dia em que eu senti que precisava evoluir, expandir minha música, sair da mesma playlist, ouvir diferente e tocar igual “gente grande”!

Foi aí que percebi que tipo de arma eu deveria usar para alcançar este crescimento, a tal TEORIA!

Algumas pessoas tendem a associar a teoria à dificuldade, mas não é assim; muitas vezes é mais fácil de aprender tendo a ajuda da teoria, do que confiar no “acho que é assim”. Outros acham que teoria é só ler partitura!

Mas afinal, o que é teoria musical?

Primeiramente, teoria musical (como CONCEITO) é a parte técnica, escrita, organizada da música. É um dos maiores assuntos dentro do campo de estudo musical. Não é só ler partitura, basicamente, teoria musical é saber o que são as notas musicais, os acordes, os ritmos, como eles se formam, a estrutura da música, entre outras técnicas.

Sendo assim, saber o que é uma escala, e dominá-la, é parte da teoria. Saber encarar um público e mandar o repertório certo é parte da prática. Ler partitura é da teoria, improvisar é da prática. Entender o ritmo da música é da teoria, manter o ritmo é da prática.

Ainda tem gente travando uma guerra entre estas duas coisas, como se fossem inimigas. Nenhuma é melhor do que a outra. É preciso entender que assim como tem gente que toca sem saber teoria, tem quem saiba teoria e não desenvolva o instrumento. Melhor é que saiba as duas coisas.

Mas se você está lendo este artigo, é muito provável que você ainda pense “será que eu preciso realmente aprender este negócio?”, então, preste atenção nos SINAIS:

1. Alergia à imprevistos

Vamos comparar a música como uma viagem de um motorista que vai dirigir de CIDADE A para CIDADE B, a viagem é simples, sair da origem, e viajar até o destino. No entanto, antes de sair, é importante que se saiba por qual caminho vai para precaver-se de quanto combustível será necessário, quantas paradas, quanta bagagem levar…

Porém, se for necessária uma parada a mais, ou a menos, alterando o tempo previsto para a viagem… Se for necessário reduzir ou aumentar a velocidade, alterando o cálculo de combustível… Se o carro quebrar, e o motorista tiver que improvisar para dormir ali mesmo…

A teoria musical é o apoio necessário nestes imprevistos. Mesmo que tudo seja combinado previamente, algo poderá sair do planejado, e nesta hora, muita gente se perde, ou se apavora.

A teoria, aqui, seria como um kit de sobrevivência, para que o motorista possa se manter em condições razoáveis até que tudo volte ao normal. Se você tem alergia à imprevistos, você precisa aprender teoria.

2. Mesmice musical

Imagine, agora, que este motorista faça esta mesma viagem há muitos anos, sempre pelo mesmo caminho. Ele já é perito neste percurso, já conhece todos os buracos da estrada, cada curva, cada desnível.

Neste caso, ele não precisa ler mapas, mexer em GPS, já sabe tudo de cor. Mas, e se um dia for preciso fazer um desvio? E se o trajeto está tão cansativo que já causa sono, e você sente que precisa mudar? E se a cidade de destino for outra?

Muitos músicos se limitam em repertórios curtos e repetitivos, causando um cansaço sem fim em quem ouve, sempre tocando a mesma coisa. A teoria oferece outra maneira de tocar o que a gente já sabe, e apoio para aprender o que ainda não se sabe.

3. Você se perdeu de vez

Numa última situação, imagine que o tal motorista teve um azar muito grande, o carro quebrou, o telefone não tem sinal, já escureceu e ninguém pararia para ajudá-lo. O trajeto que está fazendo é novo, e não tem certeza de que ponto da viagem está, nem o que há por perto. O que fazer agora? REORIENTAR-SE.

Quando estudamos bastante alguma coisa, corremos o risco de acabarmos nos perdendo neste estudo… Entenda este “se perder” como as vezes em que o músico já não sabe qual é o seu estilo, está mediano em várias técnicas mas não especializa nenhuma, encheu-se de tantos recursos que já não sabe nem o que treinar…

Quando isto acontece, precisamos ter um ponto de partida para voltar e refazer o estudo, e assim evoluir. A teoria é este ponto de partida, é como se fosse um mapa ou um GPS que nos dá uma referência para um recomeço.

Seu público não vai querer ver você derrapando na curva!

Um show pode ganhar mais vida quando sai da parte ensaiada e parte para o improviso, mas nesta hora, não se pode simplesmente “fechar os olhos e ver no que dá”, lembre dos riscos que estão envolvidos em uma viagem mal planejada.

Se você nota algum dos sinais acima na sua forma de tocar/cantar, talvez seja a hora de se render à teoria, e aproveitar os recursos que ela tem a oferecer. Acredite, não há nenhuma desvantagem em aprendê-la.

Pode até parecer difícil no início, mas saiba que nada na vida cria consistência sem esforço e disciplina. Para ser um grande músico é preciso ralar, sim! Separe um tempo do seu dia para estudar teoria, e alie isto à prática, logo você terá bons resultados. Boa sorte!

Rick Oliveira

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