Comecei a tocar relativamente cedo, mas mesmo antes de tocar, já gostava de pesquisar sobre música, ainda que sem muito recurso.
Conforme minhas pesquisas iam evoluindo, pude notar que a música segue alguns ciclos, modas, tendências, como qualquer outra arte.
Mas parece (eu disse PARECE) que chegamos a um limite criativo, de onde não se produz mais nada de novo!
Muito se fala em “crise criativa no mundo da música”, mas prefiro acreditar que ainda tem muita gente pensando novo e diferente na nossa era.
Tem muita gente nova surgindo e entre eles vários trazem um som novo, incomum. Outros, com um som simples e bonito, ainda conseguem compor canções que transpiram novidade, tanto em sua letras quanto em seus ritmos e melodias.
Seja como for, a grande receita de manter esta arte viva é a criatividade!
O que é criatividade?
Convenhamos que criatividade não seja algo que se define em um simples conceito de dicionário!
Vamos pensar que criatividade é inventar, mas também pode ser transformar, adaptar algo que já existe. A criatividade dever ser exercitada em aula, desde o início (deve ser parte da “grade curricular”). É necessário permitir que a criatividade esteja presente na música. Precisamos de mais música viva, música que realmente “converse” com o público!
Podemos considerar bandas que tocam há décadas, e tem sempre no seu repertório grandes sucessos. Com certeza, ao longo dos anos, foram necessárias algumas adaptações. Para isto é necessário criatividade!
Agora pense em “artistas” que surgiram há algum tempo, fazendo um som que outros já faziam, e logo “sumiram” do mercado. O que será que faltou?
Não seja uma cópia
A menos que uma banda seja tributo ou cover (bandas que copiam o som, e até o visual da original), não se deve imitar ninguém. Este erro pode comprometer uma carreira, “reduzindo” sua banda à outras tantas cópias que existem por aí!
Os arranjos que ouvimos foram feitos para tocar em um tipo de local, talvez em casa, ou no celular… Agora pense: você acha que o cantor iria executar da mesma forma, igualzinho, se estivesse ali?
Com certeza, não! Verifique no youtube algumas músicas com a palavra “live” no final da pesquisa, e compare com a original – alguma coisa será diferente, seja a voz, o andamento da música, a participação do público, ou outro elemento, mas alguma coisa deve diferir de uma gravação em studio.
Identidade musical
Por não saber “quem é”, muita gente cai na imitação, ou acaba fazendo de uma única referência o seu início e o seu fim.
Dependendo de quem você é ou que estilo faz na música, não é preciso muito para fazer diferente, mas é preciso ter bem claro o que você quer dizer quando toca ou canta.
Se você sabe o que quer dizer com sua música, não vai precisar copiar ninguém!
Orquestras, de maneira geral, tocam música erudita, tem uma identidade bem definida. Mas se tocarem sertanejo, mesmo sem grandes arranjos, já será uma grande inovação!
Assistir André Rieu e Orquestra – “Ai se eu te pego” (Michel Teló)
Criatividade na medida certa
Quando uma música é composta, ela quer dizer alguma coisa, traduzir algum sentimento. Não necessariamente, este mesmo sentimento será sempre o que acompanha a música. Mas é preciso alinhar a música escolhida com a ideia do show (apresentação, casamento, festa, culto, etc).
A medida certa será obtida ao ajustar a música para o local e momento, não é simplesmente trocar o ritmo, ou o tom. A música deverá ser ajustada todas as vezes que for tocada. Justamente por isto, o exercício criativo precisa acontecer desde as primeiras aulas.
Dica de ouro
É fato, criatividade não tem fórmula, mas existem formas de estimular o pensamento inovador! E a dica aqui é: INSPIRE-SE!
É preciso estar inspirado para fazer algo novo, diferente. Quando você tem um “jeito certeiro” de fazer diferente, é muito provável que seus “diferentes” serão todos iguais, de alguma maneira. Criatividade precisa brotar, ela pode até ser treinada, mas não pode ser implantada.
E para inspirar-se, nada melhor do que ouvir coisas criativas, bandas que misturem estilos, sons, etc. Um bom exemplo no nosso tempo é a orquestra Beirut, que faz uso de instrumentos incomuns de serem vistos juntos, aliados a estilos bastante diferenciados.
Assistir Beirut – Elephunt Gun
Outro belo exemplo é o septeto Mnozil Brass, que interpreta músicas de vários estilos ao som dos instrumentos de sopro e das vozes com sotaque austríaco, cantando e fazendo piadas no palco.
Assistir Mnozil Brass – Bohemian Rhapsody (Queen)
Exercício prático
Se você sente que está tocando ou cantando sempre do mesmo jeito, faça o seguinte: use o gravador do seu celular, e solte o “verbo”, toque, cante, seja a música de alguém, ou a sua mesmo. Depois, ouça o que gravou, e toque junto, , mas não repita sua performance. Faça isso uma, duas, três, quatro vezes…
Quando estiver “cansado” de acompanhar a sua própria gravação, vai notar que está fazendo diferente e ,gradativamente, seu esforço para inovar se tornará menor. É assim que acontece, uma nova versão do seu produto vai surgir com mais naturalidade.
A criatividade é fundamental na arte da música, para que ela não se torne apenas ruídos repetitivos e sem vida. Exercite isso desde já!
Bons estudos, te vejo no próximo post. Até logo!